Happy St. Patrick’s Day

St. Patrick’s Day Parade – New York – 2017

March 17th is Saint Patrick’s Day e nos meus anos nos States descobri que ser irlandês, Irish, é assunto sério. A minha compreensão da importância cultural e das tradições desta data se expandiu com os anos de contato com a cultura (algo insubstituível e para mim uma benção) de uma ideia nebulosa e hoje poder lhes dizer isto, que ser irlandês na América é assunto sério. Imagino que nesta era, com tanta facilidade de informação e comunicação, muitos de vocês rapidamente associem a cor verde, o trevo, os leprechauns ou duendes, e os green milk shakes or beer com o Saint Patrick’s Day.

Finbarr’s Irish Pub – USA.

Logo descobri que a presença irlandesa nos States é marcante. Sem entrar nas estatísticas, muitos deles imigraram para a América em busca de uma nova vida e se integraram e contribuíram sem perder os elos com suas raízes e orgulhosamente, eu diria. Na vida americana além das “parades” ou desfiles neste dia em Boston, Nova Iorque, Chicago ou Philadelphia a cultura irlandesa é evidente pelos pubs, pela jovialidade dos irlandeses, até nos funerais, por terem fervor religioso, católico ou protestante. Uma vez perguntei a um menino vizinho que eu sabia ser descendente de irlandeses e ser católico qual era o nome de suas 7 irmãs. Naturalmente eu perguntei sabendo que havia alguma devoção irlandesa à Virgem Maria. Dito e feito. Demos uma boa risada quando ele deu os nomes das sete “Marys”, começando com Maria Elizabeth.  Parece que os americanos adoram imitar o sotaque irlandês, “the brogue”. Quantas vezes ouvi o famoso “top of the morning to you” como “good morning”. Se vocês pesquisarem na internet e no Youtube verão a abundância de material sobre a cultura irlandesa.

St. Patrick’s Day Parade – New York – 2017.

On March 17th nos States sempre se diz: “somos todos irlandeses”. Usa-se até os buttonsI’m Irish” (aqui no Brasil falamos “bótons”), e todos se vestem de verde ou algo verde na vestimenta. Qual foi a minha surpresa quando um ano na faculdade um professor veio vestido com algo na cor laranja no seu traje, dizendo que ele era Irish-protestante e não era Irish-católico. Neste particular entramos nas diferenças político-religiosas entre as duas Irlandas: A Irlanda do Norte, cuja capital é Belfast e faz parte do United Kingdom e a Irlanda do Sul, cuja capital é Dublin e, respectivamente, Northern Ireland and The Republic of Ireland.

Descobri que o Irish spirit é forte de várias maneiras. Tive um summer job em um resort nos anos de faculdade onde vi isto de perto. Vários universitários irlandeses vinham trabalhar lá também nas férias de verão. Jogar futebol, falar inglês e trocar ideias com eles sobre a situação histórico-político-religiosa entre as duas Irlandas e a Inglaterra era muito interessante. O sotaque irlandês sempre era motivo de brincadeiras. O primeiro dos irlandeses que veio trabalhar conosco na cozinha foi Bill, um cara muito legal,  ao ser entrevistado pelo chef: “What’s your name son?”, respondeu: “Billlllll”; foi uma gargalhada geral.

Este resort promovia conferências de cunho sócio-político-religioso e quando trouxeram como conferencista Ian Paisley, um líder religioso e político da Irlanda do Norte e membro do Parlamento na Inglaterra, o qual dizia entre outras coisas fortes: “a protestant nation for a protestant people” a reação político-partidária e emocional dos amigos irlandeses veio à tona. Anos mais tarde eu conheci alguns Irish-Americans que falavam até em fazer contribuições financeiras para a luta política na Irlanda.

Com o passar dos anos fui descobrindo mais e mais sobre a experiência irlandesa na América e sobre o significado do Saint Patrick’s Day, cuja comemoração é o elo com a terra natal, pois Patrick é creditado por ser o missionário que levou a mensagem do Cristianismo à Irlanda e é considerado como o “patron saint”, ou seja, o padroeiro da Irlanda.  Nesta ocasião os americanos entram na onda verde. Quando eu via o pessoal se vestindo de verde, usando os buttons, os universitários colorindo de verde as águas de uma cachoeira lá no campus ou via a seriedade dos desfilantes naquelas Saint Patrick’s Day parades, eu questionava se o dia era apenas uma desculpa para tomar um porre ou se a carga histórica e cultural era considerada. Sim, em ambos os casos, eu responderia.

Recentemente, um jovem que havia feito um intercâmbio de alguns meses em Dublin veio fazer umas aulas de conversação comigo. Ao indagar-lhe sobre os seus estudos na Irlanda ele me disse que curtiu muito e que fez bons amigos e que até preferia o inglês com o sotaque irlandês, pois pronunciavam a letra “a” como no nosso português. Sem falar nada, pois julguei que ele estivesse pensando que eu fosse criticar o sotaque irlandês, achei o que ele disse very cute e vi que ele estava mesmo apaixonado pela Irlanda, seu povo e sua cultura o que é facilmente compreensível.
Happy Saint Patrick’s Day, everybody! – Prof. David Ribeiro.

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